A produção artística do Pará e as referências culturais da Ilha do Marajó ganham espaço na exposição Amazônicas: Poéticas Femininas, aberta ao público até 16 de novembro de 2026, no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro (CCBB RJ).
A mostra reúne 80 obras de 21 mulheres pioneiras e protagonistas de diferentes gerações, com trabalhos ligados ao Pará, Amazonas e Acre. Pinturas, esculturas, fotografias, gravuras, objetos, produções digitais e videoartes apresentam a diversidade da criação feminina na região amazônica.
Idealizada pelo Museu das Mulheres (Museu DAS), a exposição chegou ao Rio de Janeiro após passar por Belém, Fortaleza e Brasília. Segundo a diretora artística e curadora Sissa Aneleh, a seleção é resultado de pesquisas acadêmicas sobre a produção artística de mulheres da Amazônia.
A curadora destaca que a mostra reúne, pela primeira vez, produções de Belém e Manaus, consideradas dois importantes centros culturais da Amazônia. A exposição também busca mostrar que a região não pode ser vista apenas por sua fauna e flora, mas como um território com trajetória própria dentro da história da arte brasileira.
Em Belém, conforme Sissa Aneleh, as obras revelam uma forte representação do matriarcado. A seleção das artistas considerou a permanência do universo amazônico em suas trajetórias e a presença marcante das experiências femininas.
O território aparece como elemento central das produções.
“A Amazônia é suporte, é motivo, é a própria obra de arte”, afirmou a curadora.
A exposição também aborda a identidade afro-indígena do Norte do Brasil. Entre os destaques está o trabalho de Keila-Sankofa, que trata da relação entre as heranças africanas e indígenas presentes na formação cultural amazônica.
Sons e referências do Marajó
A Ilha do Marajó também está presente na programação educativa preparada para o público infantojuvenil. A atividade Sons da Natureza propõe uma experiência lúdica e sensorial com réplicas de esculturas da exposição inspiradas em sementes e nos sons de animais marajoaras.
A iniciativa busca aproximar crianças e adolescentes das referências naturais e culturais do arquipélago, utilizando sons, formas e elementos da Amazônia como instrumentos de aprendizado e construção de memória sensorial.
A presença do Marajó reforça a importância do arquipélago dentro da diversidade amazônica e leva ao público de outras regiões do país elementos ligados ao território, à natureza e aos modos de vida marajoaras.
Obras e artistas
A mostra está dividida em quatro núcleos temáticos: Materialidades Ancestrais, Gravura Feminina, Amazônia Pictórica e Performáticas. Os trabalhos abordam ancestralidade, gênero, regionalismo, identidade nacional, diversidade e relações com o território.
Participam da exposição as artistas Auá Mendes, Bárbara Savannah, Cristiane Martins, Diná Oliveira, Elaine Arruda, Elieni Tenório, Keila-Sankofa, Lise Lobato, Lúcia Gomes, Maria Auxiliadora Zuazo, Nina Matos, Rafa Bqueer, Rafaela Kennedy, Rafaela Moreira, Renata Aguiar, Rita Huni Kuin, Rita Loureiro, Sanchris, Val Sampaio, Wɨra Tini e Yaka Huni Kuin.
Outro destaque é o vídeo coletivo Mensagem para a Amazônia, construído durante a circulação da exposição com a participação dos visitantes. A proposta convida o público a deixar mensagens sobre a importância da preservação ambiental.
A programação inclui ainda visitas guiadas, palestras, oficinas de economia criativa e atividades de formação profissional voltadas principalmente às mulheres interessadas em atuar nas áreas técnicas e artísticas das artes visuais.
A exposição conta com recursos de acessibilidade, como obra tátil, audiodescrição e intérprete de Libras.
Serviço
Amazônicas: Poéticas Femininas pode ser visitada de quarta a segunda-feira, das 9h às 20h, no CCBB Rio de Janeiro, localizado na Rua Primeiro de Março, nº 66, no Centro. O espaço permanece fechado às terças-feiras.
A entrada é gratuita, com ingressos disponíveis no site do CCBB ou na bilheteria do espaço. A exposição foi aprovada na Seleção Petrobras Cultural, com patrocínio da Petrobras por meio da Lei Rouanet, realização do Ministério da Cultura e apoio do CCBB.



